A última vez que estive na estação rodoferroviária de Curitiba, observei um grupo de turistas estrangeiros tentando entender, através de um mapa impresso, por que o trajeto de trem até Morretes leva tanto tempo para cobrir uma distância que, em linha reta, parece tão curta. O que eles ainda não sabiam é que aquela viagem não é sobre chegar ao destino, mas sobre atravessar uma das obras de engenharia mais desafiadoras do século XIX. Quando o trem começa a ganhar velocidade e se afasta da malha urbana, a percepção de tempo muda drasticamente. O desafio de vencer a muralha da Serra do Mar A ferrovia que liga Curitiba ao litoral paranaense não foi construída para facilitar o conforto, mas para vencer uma barreira geológica imponente.
São mais de 40 túneis e dezenas de pontes e viadutos esculpidos na rocha bruta da Serra do Mar. Enquanto o trem entra no primeiro túnel escuro, o som metálico dos trilhos reverbera nas paredes de pedra úmida, criando uma atmosfera que mistura aventura e respeito pela história. Não se trata apenas de pedra e ferro. Imagine o cenário de 1880: centenas de trabalhadores desbravando a mata fechada, utilizando dinamite e picaretas para perfurar encostas onde mal havia espaço para caminhar.
Cada túnel que você atravessa hoje, como o temido Túnel da Roça Nova, é um lembrete do esforço humano que permitiu que o progresso chegasse ao Porto de Paranaguá. É impossível não olhar para fora da janela e comparar a tecnologia rudimentar da época com a precisão necessária para que os trilhos se https://blog.julytur.com.br/2026/03/26/morretes-parana/